O Homem do Tempo

Sonhos soterrados, deu de novo, a mesma notícia
Um dia a vida melhora, sinto muito, não deu tempo
A dor de quem perdeu, a dor de quem ainda não entendeu
Ecoa no mundo todo, mas ninguém identifica o lamento

O homem do tempo pesado entorpecido
Esse, do cenário de cor comum e desbotada
É dele mesmo o brotar, na labuta e nas frustrações
Semente de novo querer, de nova vida
Mas abutres famintos reclamam urgente
As recompensas, das batalhas, dos flagelos e das orações

Sonhos soterrados, deu de novo a mesma notícia
E de mãos lavadas os governos estão ocupados
Pois enquanto governam em areias movediças
São cegos insanos, ausentes do próprio afundamento